10-08-2007
Quero meu advogado!
Em dado dia, você acorda com pessoas invadindo a sua casa. Sem qualquer explicação, utilizando-se de violência, lhe retiram do lar e o conduzem a um local fechado, escuro, frio e desconhecido. Você fica alojado ali, em profunda solidão, recebendo alimentos de forma esporádica. Seu único contato com o mundo é um bilhete que acompanha a comida: “Esta é sua pena!”.
O desconhecido mensageiro, que traz o alimento e o bilhete, não presta qualquer informação. Entra e sai do recinto fechado, com a mesma velocidade das idéias que lhe passam pela cabeça. Qual seria a razão da pena?
Começa, então, um minucioso inventário de uma vida comum, marcada por erros e acertos, de modo a identificar um possível fato grave que justificasse o castigo sofrido. As imagens se sucedem: as brigas na escola; a discussão com a professora; as bagunças no quarto; a “cola” na prova; os mal tratos no cãozinho; as aventuras da adolescência; a batida de carro; as infidelidades; os impostos atrasados; as dívidas com bancos; os bate-bocas com o vizinho; a ofensa ao patrão; a separação da mulher…
Seria possível que algum desses fatos pudesse fazê-lo merecer a punição? Será que tudo não passara de um engano? Não seria o vizinho a pessoa realmente procurada para sofrer o castigo?
Suas reflexões são repentinamente suspensas com a chegada de um novo bilhete: “Diante do bom comportamento, você pode chamar alguém”.
Esta é sua oportunidade de recuperar a liberdade e não pode ser desperdiçada. De memória, você passa em revista a agenda de relações, para escolher quem chamar: a ex-mulher; os filhos; o companheiro de futebol; o síndico do prédio; o colega de trabalho; o chefe; seu médico particular …
Enfim, você decide: - Quero meu advogado!!!
Felizmente, nós não acordamos para viver este drama fictício, adaptado da obra “O processo”, de Franz Kafka. Todavia, o quotidiano de nossas vidas é marcado por julgamentos, decisões, punições, sanções, cobranças, conflitos, muitos deles sem qualquer fundamento.
Ocorre que nestes momentos, o advogado se faz presente para ajudar-lhe a palmilhar os caminhos da justiça. A defesa dos valores e direitos fundamentais do cliente (liberdade, honra, imagem, intimidade, dignidade, saúde, segurança, educação, patrimônio) constitui a missão do advogado.
Nesse dia 11 de agosto, quando se festeja o dia do advogado, cumpre lembrar que é este profissional que torna a narrativa inicial obra de pura e exclusiva ficção.
criado por betocruz2008
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